Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
Water Damage
Não existe um princípio nem um fim, apenas o eterno retorno. Vai daí, podemos até projectar o símbolo do Ouroboros na música de Water Damage, com a noção de que a trajectória circular traz com ela a mudança de pele da serpente. Como se a eternidade fosse também um acto de renovação na repetição. Pedra basilar do pensamento minimalista que é aqui sublimado com toda a clareza e o reconhecimento de que 'In C' de Terry Riley minou muita fundação do rock - versão de Acid Mothers Temple terá sido um acordar para o êxtase electrificado da mesma - e se perpetua no terceiro álbum - In E - do colectivo texano. Passadas seis décadas, e com a canonização de Velvet Underground, 'Outside the Dream Syndicate', as viagens do krautrock, as guitarras de Rhys Chatham e Glenn Branca ou a obra de David Maranha por entre outros delírios, o rock no seu sentido mais expansivo continua a trazer-nos exemplos de vitalidade na repetição e no volume, como estes Water Damage. Partindo de um arsenal de guitarras, baixos, baterias e violino, a banda assenta as suas longas peças num groove ininterrupto que vai sendo abalroado por ondas de distorção, linhas de baixo pulsantes e rasgos de violino que, sem destino aparente, atiça um fogo sempiterno, tangente ao abismo de algum noise rock - vincado na cover de 'Ladybird' de Shit & Shine - e que sem ceder à riffagem saca todo o balanço implícito nesse arquétipo do género. E o headbanging brando da hipnose. Para sempre.
BS
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Força Maior
Força Maior combina as explorações vitais de Pedro Alves Sousa no saxofone com o processamento eletrónico infinitamente subtil de Pedro Tavares. Sousa (também conhecido como Má Estrela) é conhecido por manipular o seu instrumento de sopro através de pedais de guitarra e amplificadores, criando sons fora do comum, enraizados numa curiosidade incessante. Por seu lado, Tavares (também conhecido como funcionário) combina vídeo e som para criar um espaço para divagações contemplativas onde a memória e a imaginação se entrelaçam.
O álbum Morte Lilás foi gravado ao longo de uma semana em junho de 2023 na quinta da família de Pedro Alves Sousa, localizada na aldeia de Ferreirim, perto de Lamego, em Portugal. A quinta parcialmente abandonada serviu de residência, estúdio e inspiração para o álbum: trata-se de uma quinta de granito com 400 anos que pertenceu a um membro dos «40 conspiradores» — um grupo que liderou a revolução pela independência de Portugal de Espanha no século XVII.
Morte Lilás é um álbum extraordinário de meditação comprometida. Cada dia na quinta era um dia de gravação para os dois Pedros: Sousa no saxofone e eletrónica, Tavares no sampler e processamento. Além de pequenas incursões sonoras do ambiente — os pássaros em «Quinta à tarde» — e do uso esporádico de tons senoidais, todos os sons de origem partem do saxofone. São depois processados por Sousa e Tavares. O álbum desenrola-se como uma tapeçaria saxofónica que respira com uma intensidade tranquila. Cada peça convida a uma escuta atenta, revelando gestos delicados e mudanças tonais que moldam um espaço ambiente e contemplativo. Força Maior move-se com uma precisão calma.
– Perf
Abertura de Portas
20:00
Preços