Promotor
Câmara Municipal de Santarém
Sinopse
O que propomos é uma obra que trate do amor com todas as peças — uma espécie de Romeu e Julieta contemporâneo em que os amantes se enganam reciprocamente suicidando-se para o amor, continuando apesar de tudo: vivos. Há uma resistência, uma vontade de se começar o que ainda não se começou. O amor dá muito trabalho e perdura até ao dia da nossa morte. Há uma vontade de rir e de nos divertirmos com a vida. Com tudo o que dói e tudo o que nos alegra. Preparem-se as ferramentas. Digam-se coisas. Fale-se incessantemente do amor. Quando chegar o momento, deixaremos de ser homens e mulheres. Seremos apenas seres fodidos. Reconheceremos o nada e tudo o que somos. Desesperados por recomeçar. Forçamos a inteligência com as habilidades do amor até que o amor se foda. A inteligência começará então a desaparecer. Mas voltaremos a insistir, afinal somos amorosos e humanos. Há momentos em que parece que quase vemos. Depois continuamos cegos. As obras literárias por um estranho fascínio que as recobrem tornam-se mitos, perduram no tempo e vão-nos falando. Em direto e em diferido. Falam com aqueles que as leem e com os outros que nada sabem delas porque apenas ouviram dizer. As obras mais atraentes e enganadoras são aquelas que se apresentam como testemunhos íntegros e insuspeitos que lhes dão um valor de certeza definitiva. Os autores, os sofredores dos factos, limitam-se a descrevê-los tal como nós os teríamos vivido. Parece que somos atirados de corpo e mente para dentro daquilo que foi feito e que agora nos é narrado. Levam-nos a acreditar que estamos ali. Somos o actor e afinal estamos vivos. Há uma completa identificação. É o caso da obra: O Amor É Fodido do Miguel Esteves Cardoso. É um livro de uma época e de um estranho personagem que por lá sobreviveu. Todos lá estivemos e por lá vivemos: no amor e no que no amor nos fode. Qual é, então, a vantagem, de o contar de novo? Ou de o vestir de novo? O autor diz-nos que há algo de sinistro numa mulher que só usa roupa uma vez. Como haverá, dizemos nós, algo de identicamente sinistro em vestir sempre a mesma roupa. É igual com o amor. Há algo de pecaminoso em vestir-nos de amor uma vez e de novamente repetir a dose. Ao entrar para dentro do círculo amoroso fica-se marcado para a vida. Quem lhe experimenta o sabor percebe que a coisa vai correr bem e surpreende-se depois: mas afinal a coisa pode correr assim tão mal? Quando o abismo chega pergunta-se: porque é que nos fodemos com o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. E já agora do bem que nos deu. Parece estar mesmo a pedir. E o que é que nos pede o amor? Pede que algo em nós se mostre: o mostrengo que se esconde e habita nas profundezas. Pede ao monstro que saia. O amor pede que essa parte de cada um de nós se mostre e em simultâneo se esconda. É por
isso que o amor é fodido. Tudo o que não resistimos de mostrar através do amor tem logo de seguida necessidade de se esconder. As testemunhas, os documentos, os gestos, os traços, as cicatrizes, as lágrimas e os sorrisos obscurecem o amor, pois tudo o que fazemos são estratégias para o disfarçar e foder. Encolhemos o rabo para esconder tesão. Quem nunca? Ou interrompemos a coisa e fazemos uma pausa para falar da lista das compras. Vamos ficando cegos. E continuamos.
Abertura de Portas
30 minutos antes do espetáculo
Horário de Funcionamento
3ª a 6ª feira: 10:00-12:00 e 14:00-16:00 | ENCERRA: Sábado, Domingo, Segunda e Feriados
Nos espetáculos a realizar em horário de encerramento, a bilheteira abre 1 hora antes.
Informações Adicionais
Para adquirir bilhetes para portador de cadeira de rodas e acompanhante, por favor, contacte a bilheteira do Teatro Sá da Bandeira de Santarém terça a sexta: 10:00-12:00 e 14:00-16:00 | ENCERRA: sábado, domingo, segunda e feriados (através do telefone 243 309 460, ou envie email para teatrosabandeira@cm-santarém.pt).
Não é permitida a entrada a crianças com -3 anos. Ao abrigo do art.º 26 do decreto-lei 23/2014 de 14 fevereiro, os menores de três anos só podem assistir aos espetáculos classificados para todos os públicos desde que a lotação do recinto seja reduzida em 20%.
NÃO É PERMITIDA A ENTRADA NA SALA APÓS O INÍCIO DO EVENTO.
- Agradecemos a verificação dos bilhetes no momento da compra.
- Não se efetuam trocas ou devoluções.
- Não é permitida a entrada a espectadores portadores de objetos considerados perigosos
ou acompanhados por animais, com exceção de cães-guia.
- Não é permitido qualquer registo áudio ou vídeo sem autorização prévia.
- Mantenha o telemóvel ou outros equipamentos eletrónicos desligados durante o evento.
- O bilhete deve ser conservado até ao fim do evento.
- Não é permitido o consumo de alimentos e bebidas na sala.
Preços