Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
Juana Aguirre
Uma contínua generosidade com o presente ajuda na crença de que muita da intersecção do indie-folk com a electrónica existe como novo, um feito que se está agora a descobrir. Tudo se transforma, tudo se renova, e nestas tendências interessa menos o novo, mais o que se faz, como se faz. A personalidade. A argentina Juana Aguirre tem muita.
O álbum de estreia surgiu em 2021, Claroscuro, e no ano passado inventou anónimo, disco gravado num estúdio caseiro - ou seja, a casa de Juana Aguirre - e que se pode alinhar tanto com Marina Herlop, Tarta Relena, os Radiohead de “Kid A” ou os Olivia Tremor Control, sem estar tudo no mesmo saco. Estas relações não são diretas, antes uma questão de percepção, pela forma como Aguirre alude a sons e ideias através de harmonias que vão ao encontro de lugares em que já se foi feliz. E, se tudo isto for novo, lá está, funciona como novo para quem nunca teve contacto com o resto. Terá o efeito de um sorriso.
O lugar caseiro de onde saiu o álbum preenche também as letras, coisas comuns, com que todos nos relacionamos, que fazem mais parte do quotidiano do que de um estado de alma. A compositora consegue trazer uma vida luminosa a esses lugares, sobretudo quando a guitarra ganha uma presença real. Entre anónimo e o dia de hoje, Juana Aguirre fez o favor de editar um disco ao vivo, una casa sin esquinas, onde as canções se transformam em coisas quentes e fantasmagóricas, belas e eloquentes. Juana Aguirre pode não consagrar o novo, uma visão, mas carrega uma ideia de “nova folk argentina” com o vigor necessário para nos convencer de que isto pode ser a nossa próxima redenção.
AS
Abertura de Portas
20:00
Preços