Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
Alto Aria
É mais um astro ascendente na já sólida constelação dinamarquesa que nos últimos anos tem feito brilhar o panorama contemporâneo. Caminhos pouco convencionais da pop e afins, descortinados pelo trabalho exemplar de nomes como ML Buch, Astrid Sonne ou Elias Rønnenfelt. Mas ao falar de Aria Leth Schütze, há que falar do encontro de naturezas, aparentemente, opostas. As faíscas da eletricidade em suave convulsão com a voz e elementos acústicos que obedecem a uma noção de composição aberta, em constante revelação. A geografia imaterial que percorre, por tantas paisagens, sem nunca se confinar em porto seguro.
Tudo parecer partir de uma indagação essencialmente confessional. O atrito resultante desse confronto “de dentro para fora”, é assim o ponto de partida para canções complexas nas sensações e imagens, mas imediatas no seu efeito de encontro com extrafísico. No mais recente Ephemeral, trouxe a si contribuições de Space Afrika ou Croatian Amor - e atirou-se ainda a uma interpretação absolutamente inesperada do clássico 90s “You’re Not Alone” de Olive. Um elo simplesmente perfeito, se pensarmos também na importância da memória transformativa no trabalho de Aria.
Conna Haraway
“By the late twentieth century, our time, a mythic time, we are all chimeras, theorized and fabricated hybrids of machine and organism; in short, we are cyborgs.” Donna Haraway
O universo especulativo da autora norte-americana tem semeado visões e cosmologias transversais nas práticas artísticas de hoje. Da alusão ao nome, ao campo magnético sonoro do produtor de Glasgow, é notória a partilha de inquietações estéticas e sociais. Algures entre a energia difusa dos discos de Basic Channel, a batida melosa de DJ Python e os ecos infinitos da Astral industries, esta é música de circuitos elétricos descarnados para conforto sensorial. Crepita estática, gravitam quase-melodias e confluem teias rítmicas, camada após camada. Uma luxuosa linguagem textural que não cessa de progredir, transmutar e implodir.
Lusidiq surgiu como álbum estreia ancorado num imenso recife de gente disposta a mudar as perceções do que se confortavelmente se convencionou apelidar de música ambiental. A fórmula da repetição, por si só, revelou-se limitadora e até caricatural. Encontram-se aqui formas híbridas alcançadas pelo destilamento alquímico de uma amplitude de géneros, épocas e abordagens. Menos luz solar e mais penumbra lunar, fizeram de Shifted um capítulo especialmente introspetivo, além da crosta física. Espectral sim, embora igualmente profundamente reparadora, a obra de Conna Haraway vai dando pistas para um futuro cada vez mais promissor.
NA
Abertura de Portas
21:00
Preços