Promotor
Pullso
Sinopse
“Massa mãe é um fermento selvagem, espontâneo. Talvez até impulsivo, o que num ser humano pode trazer dissabores. Não num fermento.
A massa mãe é um processo de vida contínuo, cheio de vidas em si, onde milhões de microrganismos invisíveis formam o todo. E vai-se acrescentando farinha e água à vida, ajusta-se com sal. Talvez tenha sido demais, foi impulso. Reajusta-se. E cresce, vai crescendo meio disforme, com percalços, mas consistente. A massa mãe é o início do pão ancestral, o que preenche o fundo mais fundo do nosso âmago. O centrinho do centro. E que também se estende para lá de nós. Vai de nós para os outros, vai até tudo.
Parece que estou a anunciar que vou abrir uma padaria hipster pós-moderna existencialista assente no respeito pela tradição milenar, mas não. É o meu novo solo de stand-up.
E entre orgias em Lisboa e linguadões no Rio, a minha masculinidade e sexualidade penduradas algures num espectro, o meu péssimo ativismo e os meus esbardalhanços constantes — obrigado, impulsividade —, ou até mesmo entre o medo de que muito em breve sejamos todos escravos da IA, e a omnipresente consciência da minha finitude, talvez cheguemos ao meu centro. Deitamos juntos mais água e sal, e rezamos a um qualquer deus para que continue a crescer mais ou menos dignamente. Bem-vindos à minha Massa Mãe.”
Preços
- Plateia - 20€
- Balcão - 16€