Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
Fatboi Sharif
A excitação do desconhecido e perigoso pode ser real. Quando se mistura com psicadélicos, terror e surrealismo, a fórmula torna-se infalível e entusiasmante nas mãos certas. Para Fatboi Sharif, rapper de Nova Jérsia que se estreou (ainda miúdo) na escrita criativa com um poema sobre o Holocausto, não há nada como tirar o tapete e criar abstracções a partir de retalhos que inquietam. O segredo está sempre na forma como se dispõe e usa os elementos.
Depois de experimentar em dupla com Sydetrak Imperial no disco Age Of Extinction (2016), o expressionista americano encontrou o parceiro ideal em Roper Williams, produtor e conterrâneo que lhe entregou boom-bap cinematográfico e libertou a sua imaginação em Gandhi Loves Children (2020). Há quem acredite que num mundo cheio de loucos com grandes apetites destrutivos o que é necessário é mais loucura. Só isso justifica que se atreva a colocar Malcolm X e Jeffrey Dahmer na mesma frase e que diga que eles são a mesma pessoa em “I’m Buggin’”.
Ao pisar constantemente território horrorcore (o imaginário; e a maneira como grande parte das vezes estiliza a voz através de camadas ajuda), o artista aproximou-se de editoras como Deathbomb Arc e Backwoodz Studioz, contribuindo para faixas de ilustres como billy woods, Blockhead ou Moor Mother – e foi nesse caminho que se aproximou de algumas das melhores canetas da sua geração. Nestas teias interligadas, também fez um EP colaborativo com Bigg Jus, um dos membros originais de Company Flow, grupo que El-P fundou e que trabalhou em campos adjacentes de rimas e batidas distópicas. Ainda no âmbito da proximidade com lendas, o grupo dälek escolheu “Cinnamon” para uma nova mix com a sua curadoria para a revista The Wire.
Para além da inventividade sem limites, a produtividade tem sido invulgar: nos últimos anos editou projectos como Preaching In Havana (2022) com Noface, Decay (2023) com Steel Tipped Dove, Let Me Out com Driveby, Endocrine com GDP, Planet Unfaithful e Goth Girl On Enterprise com Roper Williams, estes últimos quatro apenas em 2025, permitindo-lhe dividir-se entre a facção mais experimental e o rap da costa este com feeling clássico. Em 2026, Crayola Circles marcou o primeiro encontro com Child Actor, que lhe deu produções com injecções de jazz e folk que se estruturam com plena intenção.
Um method rapper que dorme a ouvir os instrumentais em que vai ter de rimar, estreitando assim a relação entre sonhos e realidade, o grotesco e o belo. Um MC com olho de realizador (influenciado por David Lynch, Stanley Kubrick ou Wes Craven) a dedicar-se a bizarrias com ideias inauditas. AR
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Pedro, o Mau
Criador do coletivo artístico Colónia Calúnia, conta com inúmeras edições em nome próprio e coletivo, sob os alter-egos VULTO. e Pedro, o Mau, numa carreira disruptiva, repleta de lançamentos colaborativos, ora caóticos, ora melódicos, demonstrando uma plasticidade invejável e adaptada ao contexto, sem nunca perder a impressão digital que o caracteriza. Focado no desenvolvimento da música independente portuguesa, tem vindo a apresentar, editar e produzir artistas emergentes das mais variadas vertentes musicais em território nacional.
Em 2020, desbrava novas sonoridades e começa o projeto de banda ALMA ATA, produzindo os três EPs (um, dois e três) de lançamento do projeto, assinando ainda o álbum ALMA//ATA em 2022 e o mais recente EP da banda, Tropigal, em 2023.
No final de 2024 lançou, em colaboração com Zé Menos, o projeto Quatro Partos, assumindo as rédeas da produção do EP. Já este ano, lança o eclético DELTA, um caleidoscópio de sonoridades que ilustra o alcance do produtor, onde viaja na electrónica pela balada, hip-hop e não descura o espírito cantautor nas faixas colaborativas.
Em 2025, cria CONTRA a meias com Tomaz, um projeto instrumental que mistura o orgânico com o digital, onde existem telas para todos os gostos, mas nunca se perde o rumo à vanguarda.
Abertura de Portas
20:00
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