Promotor
Associação Zé dos Bois
Breve Introdução
Cloud Nothings
São as canções. Por mais paleio que se gaste a descortinar a progressão do grupo de Cleveland e as valências poéticas, harmónicas, formais açambarcadas e/ou perdidas ao longo de nove álbuns, é no rasto memorável da canção que perdura a sua essência. Antémicas, vividas com o coração na garganta e a urgência das palavras que daí se libertam, sem nunca cair na esparrela populista - lol, Arcade Fire - mas talhadas para coro a plenos pulmões e lugar fixo num consciente colectivo indie: 'Wasted Days', 'Modern Act', 'On an Edge' ou, claro, 'I'm Not Part of Me' numa lista longa que stans mais indefetíveis irão sempre baralhar na memória daquele momento em que o mundo parecia cheio de possibilidades ou as palavras de Dylan Baldi foram reflexo daquele crush universitário. Parte fundamental de um possível lore indie que pode nascer em qualquer lado e formou carácter a Superchunk, Built to Spill ou Wavves. Sem se fixar nesse passado, germinado na solidão lo-fi de quarto de um primeiro álbum homónimo e tornado real a partir do canónico 'Attack on Memory', a banda liderada por Baldi, ladeado pelo seu comparsa de longa data Jayson Gerycz na bateria e pelo multi-instrumentista Chris Brown, continua a acertar passo aos seus próprios instintos cancioneiros com 'Final Summer', primeiro disco na Pure Noise após anos de militância na Carpark. Sem se desviar sobremaneira de uma fórmula traçada no já citado 'Attack on Memory' e definitivamente vincada em 'Here and Nowhere Else' - enlace da energia de 'New Day Rising' de Hüsker Dü com o instinto pop dos Replacements -, com os meneios e torções necessários para ir a ir avivando ao longo de uma discografia onde a sujeira rasgada das guitarras e a propulsão da bateria serviam uma sensibilidade bem catchy, 'Final Summer' ilumina a produção e, por conseguinte, a aura de Cloud Nothings em 10 canções que evocam aquela naturalidade de quem não tem já nada a provar. E não tem. Cantemos, então.
BS
VEENHO
VEENHO é uma banda de noise-pop que constrói colagens de baixa fidelidade marcadas pela tensão entre caos e melodia, barulho e harmonia. Entre guitarras distorcidas, solos intensos e letras emocionais e salvíficas, exploram novas abordagens ao indie rock enquanto honram o legado alternativo dos anos 90.
Surgiram em 2017 com dois EPs urgentes, sónicos e crus. Seguiu-se uma pausa longa e intencional que reforçou o seu estatuto de anti-culto. O regresso deu-se em 2023 com Lofizera, o muito aguardado LP de estreia, amplamente elogiado e destacado nos tops anuais da Time Out, Futura, Ípsilon, Mindies (ES), Altamont, etc. O disco consolidou VEENHO como uma das propostas mais singulares e autênticas do panorama português. ‘placebo + sentimental’ (nov/2025), é o capítulo mais recente dos 'heróis lo-fi', que aprofunda o seu universo sonoro, intensificando a sua identidade assente numa sensibilidade emocional rara, num registo simultaneamente íntimo e incisivo.
Abertura de Portas
21:00
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