Promotor
Câmara Municipal de Setúbal
Sinopse
10 de julho, sexta-feira | 21:30 | Sala José Afonso | 5,00€
Concerto - Ciclo Disrupção
Ricardo Jacinto - violoncelo solo e eletrónica
Assente numa investigação continuada sobre ressonância, ruído e feedback, e operando a partir de um vocabulário musical informado por estratégias minimalistas e abordagens próximas da música concreta instrumental, a prática improvisacional de Ricardo Jacinto centra-se na microvariação do timbre, da dinâmica e da projeção espacial, expandindo as capacidades sonoras e performativas do violoncelo para além dos enquadramentos instrumentais convencionais.
Entre 2014 e 2018, desenvolveu um sistema baseado na utilização de múltiplos microfones distribuídos pelo corpo do violoncelo, combinados com altifalantes de contacto que ativam objetos ou estruturas ressonantes externas. Desde 2024, esta investigação tem evoluído para uma exploração mais focada na ressonância electrónica, articulada através de campos de feedback, ampliando ainda mais o potencial imersivo e espacial do trabalho.
O violoncelo é abordado como um microterritório: um campo dinâmico de potencial acústico, onde a excitação e a amplificação distribuídas revelam uma topologia complexa de comportamentos ressonantes. O seu trabalho a solo desenvolve-se como uma prática espacial imersiva, baseada na interação entre a ressonância interna do instrumento e o ambiente acústico envolvente.
RICARDO JACINTO · BIO 2026
Ricardo Jacinto é músico, artista visual e arquiteto. O seu trabalho explora as relações entre som, improvisação e território através de práticas transdisciplinares. É membro fundador e atual diretor artístico da OSSO – Associação Cultural, tendo sido investigador de doutoramento no Sonic Arts Research Centre da Queen’s University Belfast (2014–2018).
Com um interesse continuado em processos colaborativos e coletivos, desenvolve projetos desde 1998 com artistas, músicos, arquitetos e performers, apresentando o seu trabalho internacionalmente em exposições, concertos e performances. Enquanto violoncelista e compositor, é uma presença ativa na cena da música experimental e improvisada, atuando regularmente em Portugal e Europa, tanto a solo como em diversas formações coletivas.
Compôs música para cinema, dança e teatro, incluindo o filme Légua, de Filipa Reis e João Miller Guerra, e a ópera experimental Two Days Beyond Time, dirigida por Óscar Silva.
O seu trabalho atual centra-se num projeto a solo para violoncelo, eletrónica e objetos ressonantes. Integra o trio The Selva (com Gonçalo Almeida e Pedro Oliveira) e dirige formações como a MEDUSA Unit e a IOU [Incomplete Open Unit].
Ricardo Jacinto editou diversos álbuns e colaborou em muitos outros como músico convidado. A sua música está publicada pelas editoras Clean Feed, Shhpuma Records, OSSO e Creative Sources. O seu trabalho escultórico e instalativo integra várias coleções públicas e privadas, entre as quais a Fundação de Serralves, a CACE, a Caixa Geral de Depósitos, a Fundação Leal Rios e a Fundação António Cachola.
Em colaboração com o arquiteto Pancho Guedes, representou Portugal na 10.ª Bienal de Arquitetura de Veneza (2006). O seu trabalho foi apresentado em instituições e espaços como a Culturgest (Lisboa e Porto), a Fundação de Serralves, a Fundação Calouste Gulbenkian, o Palais de Tokyo, o MUDAM Luxembourg, o Teatro Maria Matos, o TBA, o Museo Vostell, a Casa da Música, o CCB, a Manifesta 8, a FRAC Lorraine (Metz), o OK Centre (Linz) e a Artissima (Turim). Em 2023, o CCB Lisboa apresentou um programa dedicado ao seu trabalho, incluindo concertos e uma masterclass, e em 2024 foi artista convidado da Escola das Artes da UCP (Porto).
Foto: ©João Quirino
Organização: Disrupção Associação Cultural / CMS
Preços