Promotor
Associação Zé dos Bois
Sinopse
Leila Bordreuil
Artista franco-americana com sede em Brooklyn, Leila Bordreuil tem desencantado abordagens ao violoncelo que, sem se espalharem na mera mimese das extended techniques, se espraiam do semblante do instrumento para paisagens dronescas a erupções viscerais de ruído, acolhendo nessa passagem pelo fogo todo o tipo de matérias e possibilidades. Colaboradora de nomes como Laurel Halo ou Bill Nace, Bordreuil tem calcorreado com convicção os interstícios e nós entre a improvisação, a composição contemporânea ou o noise num trabalho paciente, vivido com igual planeamento e entrega. E sentimento. Descartando largamente o uso de pedais e demais manancial electrónico, crava ao instrumento - ao seu corpo, cordas e ressonâncias - ao espaço envolvente e a um meticuloso processo de amplificação as fundações para uma música que tanto afirma o seu potencial acústico - La Brute - como explora um espectro sónico vivo de ressonâncias e harmónicos - Headflush - ou se deixa levar numa melancolia que tanto se revolve na forja da fire music como numa suspensão liminal tensa - i.e. as duas peças do muito, muito recomendável 'not an elegy'. Mais recentemente, '1991, Summer, Huntington Garage Fire', com edição pela Hanson de Aaron Dilloway, entrega-se de forma absoluta e quase táctil ao ruído e a passagens evocativas, como que resgatadas à névoa da memória. Lindo. 'Des Astres' a ser lançado por estes dias na Superior Viaduct abre nova janela sobre este processo, captado na imediatez do momento, irrepetível: feedbacks circulares de violoncelo via amplificador em contacto físico com um piano de cauda, que em reacção ao som, ressoa as suas cordas, num fluxo hipnótico e cambiante.
BS
~
Imberbe
Imberbe trabalha com dobras, o som esquece a sua forma e o tempo escorrega. A música move-se como uma memória a meio de ser recordada: loops interrompidos, vozes abafadas pelo ruído de fundo e gravações de campo arrastadas.
O seu segundo álbum, ‘Presence’, lançado pela Altamira Records, inspira-se em gravações de campo nos Alpes austríacos e em Bregenz. Com a sua sequência inspirada na novela ‘A Shining’, de Jon Fosse, ‘Presence’ é uma passagem por salas de tempo congelado.
Sem centro,
apenas ecos e erosão.
Semi-iluminado,
arrastando-se lentamente.
Preços